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Destaques

RESPOSTA AO BLOG ANTES DO PONTO FINAL POR KAYLNE MENEZES

       Antes do ponto final. Disponível no  link     Mesmo que tudo tenha sido falado o passo a passo no MAKIN OF ( link ) e que esse passo aconteceria, ele aconteceu, e é muito gratificante todo esse movimento o trabalho desenvolvido com a Kalyne Menezes foi único honrosas são as palavras e a forma como foi tudo tão perfeitamente explicado, fico muito feliz de ter levado o meu trabalho para frente,  uma pessoa que me ensinou muito sobre tempo e paciência, sobre cura e amadurecimento, fora o carinho pessoal que eu tenho por ela.     Um marco em janeiro de 2026 eu fico feliz de poder levar meu projeto de Newsletter a esse espaço, meu amadurecimento interno, se deu em esses propósito de sempre me inovar mesmo que eu estivesse esperando esse processo, eu também estava focando em outras parcerias, pois toda visibilidade é importante nesse momento ainda mais vindo de um blog cultural, sensível e dedicado que é esse.     Foi mai...

EDITAL: A PINTURA E AUTOXPRESSAO DO CORPO COMO ESPAÇO CRÍTICO E ARTÍSTICO.


Artista e Pintor.
José Oliveira
IG : Link

     Como eu disse antes a arte realmente é diversa e pode ser expressada de várias formas e também onde a simbologia, a estética podem ser bastante trabalhadas também principalmente quando estamos falando sobre desenhos e pintura exigindo foco, coordenação conhecimento sobre paletas de cores e tonalidades e sendo uma arte totalmente visual é totalmente consumida pela estética, então vária muito do artista qual seguimento ele seguirá dentro do seu processo temos o universo fantástico e surreal e o surrealismo,  o universo dos quadrinhos entre outras aspectos que podem e foram desenvolvidos, de forma bastante perspicaz.
    Alguns artistas trabalham com quadros, outros usam ferramentas digitais, alguns esculpem e nesse caso nos temos a auto expressão como força usado no corpo do próprio artista, trazendo essa desenvoltura dentro de um corpo LGBT e negro/pardo que assim como corpos trans normalmente tendem a sofrer com a objetificação ou até mesmo a falta de credibilidade nesse espaço, porém não devemos nos concordar com espaços que nos são dados, e precisamos construir nosso espaço ou nossa fala ou nossa escrita ou até nosso corpo como um espaço politico e politizado e todos são ferramentas para isso.
    Nosso posicionamento é bastante importante não apenas como individual, mas também como o social e muitos estigmas ainda precisam ser quebrados principalmente por artistas LGBTI, devemos entender todas essas quebras e falhas da sociedade e nos unificar, então como somos corpos políticos tendemos a precisar de um entendimento crítico bastante bom para sabermos como nos posicionar, colocar nossa arte e lidar com o impacto da nossa presença. 
    É muito importante ter quem você é e sua arte e seu talento bastante definido, pois só nos sabemos onde podemos chegar e a nossa capacidade e isso nunca será algo pertencente ao outro, devemos construir na nossa arte e na nossa caminhada a resiliência, a força e a paciência de entender os momentos de desenvolver arte e também em focar em outros aspectos da nossa vida, mas temos a definição disso pode nos levar a consolidação.
    Não quando a buscamos, mas quando buscamos a arte e quando entendemos o papel dela em nossas vidas como um momento expressão de nossas dores, ímpeto, vontade e desejos o caminho para arte é um caminho sem volta, pois é totalmente árduo e gratificante, então é muito importante mantermos o foco no que realmente queremos para nossa realidade, pois somos transformadores dela.
    A saudade ela sempre nos faz de uma forma ou outra sempre estarmos em contato com processos de criação, devemos entender o que realmente vale a pena e o que realmente nos importa como dito, pois a caminhada ela nunca para, mesmo que mudemos um pouco os caminhos em nossas vidas alguns caminhos sempre se cruzam e sempre estão destinados, se nasce artista.
    Temos aqui conosco José Oliveira para compartilharmos melhor esses pensamentos de uma forma totalmente coletiva e inclusiva, para podermos desenvolver essa parceria e esse espaço como uma visibilidade coletiva de corpos críticos, e desenvolver sempre um bom questionamento nos leitores, então dessa maneira vamos ceder espaço para ele que possui mais propriedade para nos explicar esse processo de uma melhor forma:

    Morgana: 1 ) Nós fale um pouquinho sobre sua trajetória ?

    José: Minha trajetória na maquiagem artística começa em 2020, durante o período da pandemia. Naquele momento, como muitas pessoas, eu estava muito tempo dentro de casa, lidando com o tédio, com o silêncio e com uma certa inquietação interna. Foi nesse contexto que, de forma quase despretensiosa, assisti a um vídeo no YouTube que despertou algo em mim. A partir dali, comecei a maquiar artisticamente por conta própria, sem cursos formais, sem uma base acadêmica inicial, me tornando totalmente autodidata.
    Todo o meu processo de aprendizagem foi construído a partir da experimentação. Eu testava materiais, errava, refazia, observava referências e, principalmente, me permitia criar sem medo. Paralelamente a isso, comecei a postar meus trabalhos nas redes sociais. Não havia, naquele momento, nenhuma intenção de viralizar, crescer ou conquistar reconhecimento. Era apenas um espaço de registro, de expressão e de compartilhamento. Com o passar do tempo, alguns vídeos começaram a alcançar mais pessoas, a circular com mais força, e isso acabou gerando um reconhecimento espontâneo do meu trabalho.
    Esse retorno me impulsionou a levar minha arte com ainda mais seriedade. Passei a estudar melhor composição, traço, uso de cores e narrativa visual. Meu trabalho foi se tornando mais consistente e, aos poucos, fui construindo uma identidade artística própria. Hoje, consigo me reconhecer como um artista que produz obras autorais, com uma linguagem muito particular, difícil de ser reproduzida ou comparada. São trabalhos únicos, que carregam minhas referências, meus sentimentos e minha visão estética de mundo.

    Morgana: 2) Como entende sua arte como auto expressiva ? 

    José: Para mim, a maquiagem artística vai muito além da estética ou da beleza convencional. Ela é, acima de tudo, um meio de comunicação interna. Maquiar é uma forma de externalizar sentimentos que muitas vezes não consigo expressar por palavras. Por isso, grande parte das minhas obras apresenta uma paleta de cores mais fria, com predominância de preto, cinza, branco e tons mais fechados.
    Essa escolha estética costuma gerar questionamentos. Frequentemente me perguntam por que minhas maquiagens parecem tristes. Eu não enxergo dessa forma. Não se trata de tristeza, mas de uma linguagem emocional mais fria, mais contida, mais melodramática. Essa é a forma como meus sentimentos se organizam artisticamente. Minha arte não busca o leve, o fofo ou o decorativo. Eu não produzo borboletas coloridas ou personagens infantis. Pelo contrário, minha criação caminha para o simbólico, o místico, o estranho e o não existente.
    Eu me vejo criando figuras híbridas, seres imaginários, como uma caveira em formato de borboleta ou entidades que não pertencem a um plano real. Minha estética é rústica, foge do tradicional e rompe com padrões comuns da maquiagem. Cada traço carrega intenção, cada cor representa um estado emocional. Muitas das minhas obras nasceram diretamente do que eu estava sentindo naquele momento específico. Dessa forma, minha arte se torna um reflexo muito íntimo de quem eu sou, funcionando quase como um diário visual, onde sentimentos se transformam em imagem.

    3 )  Diga para nó sua opinião sobre enquanto um corpo negro/pardo e a construção desse espaço crítico dentro da arte ?

    Quando essa pergunta surge, sinto a necessidade de responder com muita honestidade e responsabilidade. Eu não me coloco como alguém com lugar de fala para relatar a experiência de existir no mundo enquanto um corpo negro. Não sou uma pessoa de pele negra e, justamente por isso, não acredito que eu possa definir ou descrever como é viver essa realidade, nem romantizar ou reduzir vivências que não são minhas. Reconheço meus limites enquanto sujeito e enquanto artista.
    No entanto, acredito profundamente que a arte, enquanto linguagem, não se limita a gênero, cor ou sexualidade. A arte é expressão, é vivência, é existência. Criar é um ato de vida. Viver é, de certa forma, ser arte. Por isso, o campo artístico precisa ser entendido como um espaço de abertura, de escuta e de pluralidade. É um território onde diferentes corpos, histórias e narrativas devem ter espaço para existir e se manifestar.
    A construção de um espaço crítico dentro da arte passa, necessariamente, pelo reconhecimento das diferenças e pela valorização das múltiplas experiências humanas. A arte não deve excluir, mas acolher. Deve provocar, questionar e dar voz. Independentemente de quem somos, a arte se torna um lugar legítimo para expressar identidade, sentimentos e vivências, permitindo que cada pessoa ocupe esse espaço sendo exatamente quem é.

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