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A arte da escrita juntamente com uma filosofia meio socrática meio terapêutica.
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Carta Aberta: entre coisas que eu nunca disse.
Caro leitor, eu esperei por vários momentos da vida que muitas coisas simplesmente se transformassem e que, na próxima esquina, eu encontrasse minha fada madrinha; que eu simplesmente tivesse o meu final feliz e um "foram felizes para sempre". E qual é o preço desse "para sempre"? Eu não estou falando que não tiveram fadas madrinhas, ou carruagens, ou príncipes ou sapos nessa história — sim, teve —, mas teve também uma princesa que teve que aprender a se salvar, pois ninguém conseguiu simplesmente a direcionar. Talvez pelo fato de ser magia, verdadeiramente, em sua essência vívida e bruta, que dá vida a todos os personagens dessa história.
Talvez eu tive que ser a bruxa, e não a princesa. Não foi porque eu não nasci para ser salva, a questão é que não tinha ninguém para fazer isso por mim; não tinha ninguém, vivo ou morto, que iria dar esse toque de magia na minha vida, de trazer à tona com palavras e de demonstrar quem eu realmente sou e para o que eu vim no mundo. Entre baralho, magia e feitiçaria, e no encanto das palavras, eu construí minha realidade: me formei em psicologia, adotei meu gatinho (que é a vida mais importante para mim) e construí meu projeto. E penso que essa é realmente a primeira vez que eu falo dele em um papel, tanto em terceira pessoa quanto em forma poética, assim.
Não como o todo em sua complexidade e o que ele envolve, mas como consequência de parte de um processo criativo. Um processo que não visa apenas amadurecer, expor ou divulgar minha arte e colocar as coisas como elas deveriam ser, mas de poder produzir textos tão minimalistas como esses em um ato de desabafo ou até mesmo desespero. Em falar, em expor, em pontuar que, nessa história, não teve pessoas que puderam iniciar essa mudança além de mim mesma. O que as pessoas fizeram foi me ajudar ou me possibilitar ferramentas no meio do caminho, mas, mesmo assim, ninguém assumiu o papel de salvador ou expurgador dos meus pecados melhor do que eu mesma fiz.
Cada movimento, e também cada palavra e cada espera, para mim, faz parte do processo. Dessa forma, tudo está sendo como deveria ser e eu posso sentir cada palavra a ser mencionada aqui ou em qualquer outro processo. E se eu consigo fazer isso sozinha? Mesmo com minhas dores, por que não fazer? Então, dessa maneira, posso embelezar a minha vida ao meu redor.
Alguns textos são cruéis demais e outros sensíveis ao ponto de falar sobre fragilidades. Vivemos fadados ao fim e, nesse meio tempo, podemos começar e recomeçar quantas vezes for necessário. Dessa maneira, fica impossível desistir; impossível não trazer essas coisas à tona — o ruir para coisas melhores, transformações internas necessárias e aprendizados profundos demais para serem deixados de lado. E viver se torna uma linha tênue entre parar ou continuar, desistir ou viver e, consequentemente, chorar ou agir? O que devemos fazer?
Às vezes, simplesmente respirar e deixar todas as emoções fluírem por você, sem que criem morada, é um fato real. Não podemos fugir do processo, então devemos fazer o nosso melhor e estarmos abertos ao aprendizado que essa grande jornada pode nos oferecer. Não pensamos em propósitos e precisamos aprender a sobreviver à densidade — e não apenas isso, também devemos navegar sobre ela e criar raízes profundas para que possamos crescer o suficiente para encontrarmos a luz e, cada vez mais, mudarmos a nossa vibração para direções positivas.
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