CRÔNICA LITERÁRIA: NOTAS DE AGRADECIMENTO
Eles esperam toda revolta e escárnio, todo o retorno que deveria ser função do Karma — um cenário em que textos e retóricas poderiam ser substituídos por leveza e silêncio. Esperam por notas em que possam se pegar; esperam se apropriar de algo que é totalmente livre: o meu pensamento. Notas de atrasos, desculpas, evoluções e notas sobre o que realmente acontece.
Me limpando de todas as toxinas e deixando ir aquilo que tem que realmente desaparecer com o vento, não me atenho a mais nada a não ser à gratidão. Gratidão àqueles que estão me acompanhando e torcendo tanto quanto eu para que eu continue a amadurecer e a crescer; para que eu saia desse casulo sobre o que penso que é a vida real e me vista com a minha própria verdade e essência. Pensei muito sobre o que fazer e, exatamente melhor que isso, como fazer. Como tornar esses processos realidade — ideias que eu só pensava em tocar, mas nem sempre em alcançar.
Então, eu me cerquei de boas causas, bons pensamentos e bons aprendizados extraídos de horríveis situações. Desse modo, entendi que o passado não me pertence e que não sou a pessoa mais importante ou a principal responsável por fazer todas as situações se desenrolarem do jeito que eu quero — mesmo que em um espaço de tempo que não me pertence. Afinal, no caminho, só podemos torcer pelo melhor enquanto nos movimentamos em relação ao que buscamos, e isso é o principal. O movimento, assim como o do próprio planeta e o das horas e minutos, mostra que a todo momento estamos abrindo mão de alguma coisa.
O silêncio me encontrou e, dessa vez, me permito sentir vulnerável. Só não me permito mais deixar o tempo simplesmente passar, mas eu não me julgo e eu me perdoo. Tudo algum dia sempre foi mais difícil, talvez no começo de algo, no meio ou no final de nossas vidas, mas não estamos sofrendo sozinhos.
Estamos todos em uma jornada, torcendo para simplesmente pararmos na estação certa e sairmos da linha errada. E, nesse caminho, eu percebi que não estou sozinha; que estou sendo vista e acompanhada, e que o que eu fiz não foi em vão, mas sim totalmente necessário. Sendo assim, este texto não celebra a morte, mas o nascimento de um agradecimento por todos aqueles que passaram por esse espaço de poemas, contos, textos e reflexões.
Sem muitas delongas — não por falta ou excesso de tempo, mas pela leveza e simplicidade de resumir o complexo ao fácil, o complicado ao explicado, o impossível ao possível. Diante das coisas que não foram ditas e guardadas para o processo de pontuar e registrar, mesmo que em notas, tudo começa a se encaixar nesse espaço entre a vida real e o virtual. E assim, de notas em notas, resumos e rascunhos, nascem os textos.
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